Freaks: a deficiência como espetáculo para as massas

Descrição de imagem: Foto em tons rosa de uma mulher anã usando um vestido do século XIX. Sua expressão é séria, olhando para a direita. Ela está escorando em um toco de madeira. A esquerda, próximo a sua cabeça, o texto “Freaks, a deficiência como espetáculo para as massas”. Fim da descrição.

Nos meados do século XIX, o mundo se encantava com as câmeras e a capacidade delas de registrar imagens de lazer como viagens, encontros familiares e eventos. Além destes temas, outra atividade também ganhava destaque na sociedade e atenção das câmeras: espetáculos com pessoas de aparência e características consideradas diferentes aos padrões da época, conhecidos como “freaks”.

Nas manchetes, eles eram considerados como aberrações da natureza, seres primitivos, exóticos, monstruosos expostos em circos, feiras e museus repletos de um público curioso e ansioso para ver as atrações. Entretanto, quem estava ali, a ser observado, eram pessoas com deficiências visíveis, pessoas gordas, pessoas tatuadas, anões, mulheres com barba e imigrantes que se ocupavam de entreter e alimentar o imaginário do público.

Um dos principais idealizadores destes espetáculos foi P. T. Barnum, com seu “American Museum” na Broadway, em 1842, o qual inspirou os atuais modelos de entretenimento para massas com as suas técnicas de divulgação e apresentação. (se você assistiu ao filme “O Rei do Show” deve se lembrar do personagem principal)

Porém, a realidade é bem menos glamourosa do que foi demonstrado na tela. Grande parte dos “freaks” viviam em condições de pobreza, submetendo-se a explorações das suas diferenças como fonte de renda. Alguns realizavam ensaios fotográficos para vender suas imagens como souvenirs. A maioria usava nomes artísticos sempre acompanhados de textos que enfatizavam o mistério de seus corpos, entretanto a maioria destes termos desqualificavam e animalizavam suas vidas, como “abominável”, “terrível”, “horripilante”, dentre outras.

Existem diversos estudos sobre este fenômeno, com diferentes abordagens sobre o consentimento dos “freaks” neste processo. Contudo, o que podemos aferir é o impacto negativo que o termo “freak” inscreve até hoje nos corpos com deficiências visíveis uma carga de espetacularização das nossas vivências, que supostamente legitima a observação constante e indiscreta.

Referência: BOGDAN, Robert. Picturing disability: beggar, freak, citizen, and other photographic rhetoric. Org. Robert Bogdan, Martin Elks, James A. Knoll. New York: Syracuse University Press, 2012.
TROMP, Marlene. Victorian freaks: the social context of freakery in Britain. Columbus: The Ohio State University Press, 2008.

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