Quando o silêncio grita

Vocês devem achar que estou preguiçosa ultimamente, né? Publicando textos de coleguinhas e deixando de produzir os meus. Mas garanto que esta pausa tem a melhor das intenções.

Afinal, como deixar de publicar materiais ora elaborados especialmente para o blog ora tão sensíveis que fica impossível evitar a publicação? Por esse motivo, guardei minhas ideias na gaveta e abri as janelas, portas e coloquei a água no fogo para preparar um cafezinho bem gostoso especial para acompanhar as reflexões dos meus queridos amigos.

O texto de hoje é da Ieska (que já apareceu no Disbuga aqui e aqui) onde ela nos conta um pouco sobre sua mudez temporária. Sim, após uma viagem para Europa perdeu a voz por mais de um mês, condição que lhe causou muita tristeza, mas também permitiu perceber inúmeras coisas nesta experiência. Tais ideias resultaram também em um ensaio lindo, feito pelo seu amigo João Francisco Casale. Ficou com curiosidade? Então, vamos conferir.

Com vocês, Ieska.


Diário de bordo, última parte.

Pelo menos por enquanto.

Fotografia é mensagem sem som, então talvez por isso ela tenha sido minha forma de expressão preferida nesses últimos meses. Como se adivinhasse, o João me mandou uma mensagem para falar sobre outro assunto exatamente quando eu ficava o tempo todo olhando o contato dele no meu celular, tentando criar coragem para chamá-lo e perguntar se ele topava comprar uma ideia que eu tinha pensado.

Descrição: Montagem com três fotos preto e branco verticais, tiradas de baixo para cima. Em todas elas, Ieska está usando uma blusa preta de manga longa e possui esmalte preto nas unhas. Na primeira imagem, Ieska está com as mãos na boca olhando para o lado. Seus dedos estão entreabertos permitindo ver seus lábios. Na segunda imagem, no meio, suas mãos cobrem totalmente a boca. Na terceira e última foto, seu rosto está totalmente escuro por causa da sombra e sua mão sustenta a cabeça pendente para frente. Fim da descrição.

“Fotografar a falta de som? Complicado, hein? Ok, topo”, foi a resposta dele, basicamente, e eu não precisei de mais nada para me sentir encorajada de verdade a fazer isso.

A fala voltou antes que pudéssemos fazer a sessão de fotos que gostaríamos, mas talvez a maior graça tenha sido essa. Discutimos ideias, demos muitas risadas, esquecemos de mais da metade das coisas que já tínhamos pensado em fazer e, com a ajuda de duas placas de isopor, algumas almofadas e a luz natural do quarto azul, tentamos expressar a mudez e todas as coisas que ela fez com que eu sentisse durante aqueles dias.

Eu e o João nos conhecemos num contexto que tem nada a ver com fotografia, demoramos um tempo gigantesco para nos aproximarmos e, entre graduações que não tem muito a ver com nenhum dos dois, aplicativos de supermercado, planos de negócios, concursos de fotografia e papos filosóficos que saem do mais absoluto nada, eu sou feliz pela arte que produzimos juntos exatamente dois meses depois do dia em que minha voz começou a falhar.

Obrigada pela parceria e pela sensibilidade, querido fotógrafo. Nossa expressão em preto e branco foi o fechamento deste ciclo e a porta para o próximo passo.

Que venham, em muito breve, as fotos em cores.

Um comentário em “Quando o silêncio grita

  1. Lindo texto e publicação da Ieska, Fatine. Ela é sensacional! Precisa mesmo ter toda a voz pra dizer oq muitas vezes fica em silêncio para a maioria das pessoas. Eu a amo desde pequenininha, qdo cuidava dela com o maior amor do mundo. <3. Bjs

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