Será que sou eu?

Começa com uma ideia nova, um frescor de inspiração depois de um longo período sem produzir nada. A novidade nos revigora, dá ânimo para traçar novos planos, sonhar com possibilidades de mudar algo em nossas vidas. Ainda que seja pouca coisa como testar uma nova receita de molho ou mais significativo como mudar de emprego, quando estamos com intenção de buscar novos rumos tudo parece conspirar a favor.

É como se o universo dissesse “vai e arrasa”.

Gif da Beyoncé. Seu rosto é mostrado de cima com uma expressão serena, é possível ver seus cabelos trançados balançando e seus braços abertos. Ela usa um casaco de pele e abaixo está escrito “I slay” (uma gíria que significaria “eu arraso”).

A voz que tudo muda

Quando tudo parece dar certo, surge uma voz com a pergunta mais fatal do universo: será que você dá conta?

Gif de um boneco vermelho balançando os braços como se não soubesse o que fazer

É impressionante a força destruidora da dúvida. Podemos estar certos do que buscamos, mas se por algum motivo duvidarmos disso tudo começa a esvair como um castelo de areia quando recebe o toque das ondas do mar. O projeto é interrompido antes mesmo de ser colocado em prática. Inventamos desculpas para justificar e confirmar os falsos julgamentos. É a síndrome do impostor se fazendo presente em nossas vidas.

Somos todos impostores?

Emma Watson, atriz que fez Hermione em Harry Potter, declarou em uma entrevista à revista Rookie: “Parece que quanto melhor eu me saio, maior é o meu sentimento de inadequação, porque penso que em algum momento, alguém vai descobrir que eu sou uma fraude e que eu não mereço nada do que conquistei”. Esse sensação de ser uma farsa é muito comum, principalmente em mulheres de acordo com um estudo realizado pela psicóloga Gail Matthews, da Universidade Dominicana da Califórnia, nos Estados Unidos, que afirma que esta síndrome atinge em menor ou maior grau 70% dos profissionais bem-sucedidos.

É possível que algumas pessoas com deficiência desenvolvam a síndrome do impostor por acreditarem ser incapazes de desempenhar esta ou tal tarefa por causa de sua deficiência. É claro que precisamos criar adaptações para fazer algumas coisas, porém não há motivo para deixá-las inacabadas. Às vezes não será possível fazer um curso em um espaço por falta de acessibilidade, porém há condições de fazê-lo online, por exemplo. Em alguns casos, deixamos até mesmo de sair de casa para conhecer pessoas por medo do julgamento, ainda que tenhamos certeza do quão interessante nós somos.

Claro que tal síndrome não é exclusividade nossa, tampouco gira somente em torno dos atributos físicos. Geralmente a síndrome está relacionada a algum sentimento de incapacidade, inferioridade que alimentamos há muito tempo. Existem pessoas tímidas demais que se julgam incapazes de realizar algo por medo de exposição, outras pessoas desistem de um emprego por não acreditar ser inteligente o suficiente para o cargo mesmo tendo todas as qualificações para tal. Cada um direciona seu impostor para suas crenças limitantes.

Eu sou uma pessoa que constantemente deixa projetos inacabados, tenho facilidade em elaborar novas ideias, porém não consigo dar prosseguimento nelas. Essa incapacidade me deixa sempre chateada e quando percebo começo a acreditar que realmente não conseguirei sucesso naquilo que busco. Como sou ansiosa, inicio um círculo vicioso de pensamentos ruins centrados em uma única crença de incapacidade construída ao longo dos anos.

Como lidar com isso?

O Buzz Feed fez uma lista muito boa com 17 dicas bem úteis para lidar com isso, você pode vê-la aqui. Pessoalmente, após fazer terapia resolvi tomar algumas atitudes para amenizar minha síndrome:

1 – Fazer um check list: antes de começar minhas atividades, gosto de anotar tudo para ao longo do dia ir conferindo se consegui realizá-las. Dá uma sensação boa ver que ao final do dia fiz a lista toda ou boa parte dela.

2 – Entender o tempo: algumas coisas vão demorar para serem realizadas, mas não quer dizer que estejam paradas. Para evitar a procrastinação o item 1 ajuda bastante.

3 – Se conhecer: não é apenas saber seu nome, mas saber de suas qualidades reais. Observar suas conquistas, sua história e aprender a se valorizar por isso. Se conhecer ajuda no enfrentamento das dúvidas que eventualmente podem aparecer.

4 – Guarde suas conquistas: Uma foto, um email com cliente aprovando e elogiando seu trabalho, seja o que for crie um espaço para te fazer lembrar das suas conquistas quando você duvidar delas.

5 – Não tenha medo de errar: Muitas vezes deixamos de fazer as coisas por medo do erro, medo de sermos vistos como “burros”, porém é importante entender o valor do erro como oportunidade de aprendizado. Sei que vivemos em uma sociedade onde os acertos são celebrados, mas é preciso sair fora do esquema social para não ser refém dele.

6 – Minha deficiência não é algo ruim: Por fim, aceitar a deficiência é FUNDAMENTAL. Não somos incapazes, não somos piores por termos deficiência, portanto não podemos permitir sermos julgados por ela, tampouco nos diminuirmos também.

A síndrome do impostor pode aparecer em sua vida, mas cabe a você acreditar nela ou não. Muitas vezes fazemos as coisas com medo mesmo e ao final descobrimos sermos capazes de ir muito além do que esperávamos. Portanto, não pare. Respira fundo e mantenha a caminhada.

 

Gif de uma mulher de cabelos pretos usando óculos escuro, regata azul com os braços erguidos em posição de força. No fundo azul claro caem pétalas rosa que mudam de cor para o azul.
P.S.: Para fazer este texto eu levei três semanas e fiquei me questionando se deveria fazer mesmo ou não. Mas fiz e espero que gostem dele, assim como gostei de fazer. 😉
Sugestão de leitura e fonte: http://www.huffpostbrasil.com/2014/04/07/7-sinais-de-que-voce-e-uma-das-vitimas-da-sindrome-do-impostor_a_21667908/

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